
Noites de Veneza
I
Amor, canto aqui os meus sonhos,
que com ternura, expresso o mais perfeito sentimento
existente por ti.
Canto os beijos e carícias trocados corpo a corpo;
canto as rosas e as estrelas, adimiradas olho a olho...
Canto o desejo ardente do consumo e do prazer,
Ângulos, perímetros, longitude e latitude;
graus...
Físicas e químicas do teu ser...
...o vento que sopra e refresca teu rosto,
a água que te banha suavemete.
Canto as tuas mãos que pelo meu corpo desliza,
e pelo afeto percorre caminhos,
selando destinos,
semeando sentimentos.
Canto os passos dados (lado a lado)
de nascermos e crescermos;
sorrimos e chorarmos,
a entrega total, envelhecer.
Canto a fonte inesgotável de inspiração,
o que me afaga e me sacia.
Canto o amor, a beleza e exatidão com que se contemplam nossas almas.
Canto o que me pertence, minha alma e um coração.
Canto o que te pertence, a oferenda em ti depositada;
oxalá, fosse loucura,
canto em ti minha vida.
II
Já não sei ao certo em que vaso plantar meus sonhos.
Meu canto ecoa no universo, mas quem poderia ouvi-lo?
Eu viajo pelo labirinto da tal ignorância
que faz de mim inseguro e deprimente.
Onde há um lugar que eu possa encostar minha cabeça
e contigo sonhar sem medo?
A dor faz de mim um tolo,
e viciado em teus beijos não saberia viver.
Não me repila, acolha-me.
Não me magoe, acaricia-me.
Não me odeie, ama-me.
Mas contudo, não sinta pena de mim.
Humilhado eu me sentiria,
Desprezível eu me tornaria.
Quero descansar, e sentir a paz que teu olhar faz nascer,
e sob estes repousam meus sentimentos sobre as pautas quentes
que afagam minhas dores.
Em ti, esperando a vida;
e em nós, ressurgir do amor.
Eduardo Gomes Cardozo
Rio de Janeiro, 06 de janeiro de 2001.
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